15/08/2016

Isto é Sobre um Céu de Desenho Animado

Isto É Sobre Um Céu de Desenho Animado


Ela dorme em seda rosa
E também em grama verde.
E ela sabe tão pouco sobre o mundo
Que até parece saber tudo.

Com a beleza da simplicidade descontraída
Ela sorri e fala sobre a Síria, os estádios de Buenos Aires,
Um filme francês, Rimbaud e novela.
E despreocupadamente toma uma xícara de chá.

E hoje ela vai ao bar, camaradear em paz,
E vai sorrir e desenhar bigodes nos pôsteres.
Vai cantar Tom Waits, "Hold On",
E se lembrar que nada nunca esteve perdido.

Sem contas, sem promessas, sem rimas.
Vestindo um "eu gosto" confortável, ela caminha
E contraria o fluxo cego por ter achado seu mundo
Num momento estranho e claro com gosto de bolinho de chuva.

E nós sabemos que tudo isso pode não importar.
E nós não sabemos como um sorriso pode iluminar 
Todas as ruas do mundo.
Ela sabe.

  

27/01/2014

Sentindo

Sentindo

E eu acho, acho.
Signos não são.
E há coisas incríveis
Estúpidas, inacreditáveis
E ascendentes.

E há o novo,
O inevitável, o mudo,
As mudanças e os gritos.
Raiva, chutes fortes
E um abraço índigo.

E eu penso, penso.
E utilizo temperos pelo caminho.
Sal, pimenta, açúcar
E solidão acompanhada
De um cuspe e casamento.

E como somos?
Enganos.
E como não somos?
Nós.


19/09/2013

Privação

Privação

Não vou mais dormir assim
Com meus pés gelados
E contigo dentro de mim.

Não vou mais pensar em ti
Durante a madrugada
Numa insônia sem fim.

E pelos dias não vou te desejar,
E na primeira chance
Eu vou, vou te negar.

Não te sinto,
Não te olho
Nem sinto seu cheiro,
E depois tantos anos
Não te amo... Mais.

Não se deite com este velho sorriso
Nem tente me seduzir,
Já é passado seu tempo de partir.

Por uma década ou mais
Te dei tudo que poderia,
Hoje simplesmente sou incapaz.

Você não passa de uma lembrança,
De uma fogueira se apagando,
De um frágil odor se espalhando.

E sim,
Eu não te sinto,
Não te olho
Nem sinto seu cheiro,
E depois de tantos anos
Não te amo. E nunca mais.







03/09/2013

Letrinhas Rimadas

Letrinhas Rimadas


Sinto por ti tudo aquilo que
Já não se sente por aí.

Antítese modernista,
Em cada palavra, ponto ou vírgula
Há muito mais do homem que do artista.

O que te digo, em pânico programado,
É que é impossível esconder a essência do desejo,
Tão inequivocado.

Ao invés do esperado horror.
O que eu lhe trouxe nesta embalagem esbranquiçada
É o tal de infinito e incrível amor.

E nossa história estoriante prossegue sendo escrita,
Ainda por aquela santa diferente,
Utilizando em sua aquarela todas as cores existentes.



*Pseudo-poesia dedicada à Honey Pie, minha. ( https://www.youtube.com/watch?v=hlItyQrgw80 )


29/08/2013

A Embarcação (Desconexão)

A Embarcação (Desconexão)


Não conheço todos os sons, os tons,
Apenas gosto daquela canção.

Uma pequena e bela embarcação
Navega o rio que corta sublime uma grande cidade.

Em noites como esta
Anseio pela claridade que a manhã traz.

Nada está errado ou certo demais,
Apenas falta algo convincente para que eu possa fechar os olhos.

Sangue Escarlate

Sangue Escarlate


Percorro-te através das artérias!
Às vezes, cruelmente agitado,
Noutras, calmo e sonolento,
Como uma pressão nove por cinco.

Provoco um incômodo,
Uma coceira e um formigamento.
Proporciono ímpar relaxamento
E prazer imensurável, interno.

Sou seu, rubro, brilhante sob a lua.
Desprezado! Eliminado, continuamente jorrando.
Desejado! Esquecido, me renovo.
Sou a marca e a mancha eterna.

Sou o que te faz pulsar.

19/07/2013

O Céu da Pipa Branca

O Céu da Pipa Branca

Há uma pipa no céu
E ela tem uma cruz preta em seu centro.
Há uma pipa no céu,
Pode não ser a última.
Solitária, faz acrobacias ousadas.

Há uma pipa no céu
E ela é a criança de cinco anos.
É também o revólver carregado.
E sou eu com um bom sorriso
E algumas lágrimas.

Havia no céu uma pipa,
Há cinco minutos,
E não há nuvens.
E todos prosseguem,
Cabisbaixos.

17/07/2013

Dia Dezessete

Dia Dezessete

Vou dar um passeio em seu coração e
Inventar a perfeita canção.
Nadarei em seu suor, inspirando-me e
Transpirando minha felicidade
Em seu corpo doce.

Então apenas feche os olhos e sonhe.

Traduza todas as frases
Refletidas nos espelhos imaginários e
Encare-me com seu largo sorriso,
Sendo o que você nasceu para ser: perfeita.

24/06/2013

O Morador

O Morador

Morador do subsolo,
Não tinha o sol nem quase nada.
Morador do submundo,
Peito rasgado e uma sede louca.

Queria subir,
Mas não até o céu.
Queria fugir
Pelas vielas do labirinto da alma.

Quis fazer arte,
Quis escrever poemas,
Quis fingir ficar,
Quis se libertar,
Quis o que não se quer,
Quis o que não se deve querer.

Morador,
Contentou-se.
Morra a dor,
Rezou. E foi atendido.






19/06/2013

Poema Lúdico do Sol Desenhado

Poema Lúdico do Sol Desenhado


Pairando,
Um deus profano e sacro,
Sou.

Entre os vão escuros
Das inquietantes montanhas
Recito meu poema-vida e minha poesia morte.

Dilemas, chapéus, arcos-nada-íris,
fantasmas, rosas, civilizações,
Camisas, artigos e cores.

Dentro de você purifico-me e danço.
Em você e para nossas estrelinhas de papel 
À morte canto. 

13/06/2013

Jéssica, apenas

Jéssica, apenas

Na estrada estreita,
Na beira do abismo,
Encarei a queda e ela sorriu.
Sorri de volta.

No silêncio da noite pálida,
De brisa fria,
Senti um abraço, um toque em meu rosto.
Tornei-me rei.

Nos sonhos, você.
Ao despertar, você.
No passado, você.
No futuro, você.
Dê-me de presente seu tempo presente.

Te dou o sagrado, o real,
Descubro uma nova América
Próxima ao coração,
Minha, apenas.

No nosso tempo, volte.
Com um beijo nos lábios, volte.
E creia na criação perfeita
Que chamo de nosso amor.

Olhos

Olhos

Pele clarinha,
Mãos pianistas.
Nas costas arte
E unhas verdes.

E o rosto, o rosto,
Seu gosto.
E o que sou em nós
E o que és aqui.

Compromissos, cabelos curtos,
Na minha roupa, em minha boca.
Despindo-se, despedaçando-se,
Sobre e sob mim.

Olhos escuros castanhos,
Olhos escuros,
Olhos castanhos,
Olhos em meus olhos.

O Reino

O Reino

Ele, o rei, andava pelo salão de festas esvaziado.
Fitava as cortinas, os lustres
E encarava o chão.

Ela, a rainha, repousava no imenso quarto
De adornos dourados e pensava.
Na própria vida, nos sonhos desassossegados
E no homem de olhar castanho escuro e secreto.

Ele, o prosaico, sob a sombra de uma árvore sorria levemente
E sentia seu próprio coração batendo em suas mãos.
E sabia mais do que os membros do castelo jamais saberiam.

Era um reino, de um rei insosso e uma rainha altiva.
Era um plebeu, que possuía o resto do mundo e suspirava ao se lembrar
Do suave odor que dela exalava.
Ele a quis, ela quis o mundo, fora do castelo, com ele.

O rei? Se enforcou, solitário, debatendo-se lentamente.

07/07/2012

Oh, Maria!

Oh, Maria!

Faltou-me um golpe!
Ela cairia inerte e imóvel.

Faltou um tapa!
Ela grudada, incerta, em minha mão.

Faltou! Faltou mesmo!
E ela, Maria-verde que conheço
Caminha, rasteja ou voa pelo quarto,
Com cheiro de morte mal matada.

E a invisibilidade da mulher,
Maravilha, é claro.

13/05/2012

Os Deuses

Os Deuses

Demônios são santos disfarçados com vestimentas pretas,
E santos constroem delicados colares prateados nas noites escuras.
Um telhado sujo e um beijo torto, ao nosso lado quatro anjos mortos
E uma melodia de vinte anos, ou vinte séculos.

Lembro, lembro-te, penso, protejo-te.
Se os relógios tivessem lentos ponteiros
Suas pequenas mãos tocariam o coração louco de um deus ateu.
Quase seu.

19/04/2012

Cores e Dores

Cores e Dores

Meu azul tem um tom marcante, sofisticado.
Meu verde não se parece com os gramados do parque. É intergaláctico.
Meu branco, limpo e lindo. Meu preto, nada opaco.
E ainda tenho um vermelho escarlate e um cinza de chumbo.

Ah, minhas cores! Doces cores! Minhas!

As moças possuem cores também. Adoráveis.
Elas odeiam tons pastéis, como eu.
As garotas têm ainda algumas dores incolores. E outras visíveis.
E brilham estelares pelas ruas, tão amáveis.

Ah, aquelas cores que escondem dores! Delas! Minhas! Nossas!

As conexões infames e ínfimas. As colorações e sensações.
As recordações e recortes. As amáveis e odiáveis citações.
O meu, o seu, os nossos, todos, quase tolos.
E um amarelo solar insiste em me despertar, dia após dia.

Cores, cores. Tantas e tão desimportantes. Tão belas! 
  

27/01/2012

É Mais Uma Daquelas Dores Fingidas Perfeitamente


É Mais Uma Daquelas Dores Fingidas Perfeitamente

Coração tranquilo, sentidor e sem sentir dor, inventa-a.
Amor calmo, como chá morno e adoçado com açúcar mascavo.
O ser, o ter, não ter, reter, crer, viver até quase, quase, morrer.

Metade da metade da metade, eu grito: - É tudo, não é nada, eu odeio.
Ter partido, ter voltado, a saudade revoltante, os grilos-bichos-vespertinos da minha estante.
Existe sim, mas não assim crianças, não como escrevi. É como senti.

É inventado? Já não sei mais.  

21/01/2012

Cartas


Cartas

E que as cartas de amor, sobre o amor, para o amor, sejam para sempre escritas. Para durar e ter cheiro do próprio amor.

24/12/2011

Culpa

Culpa

Não tenho culpa por sua infelicidade e destempero. Se tenho alguma culpa, e poderia assumi-la com facilidade, é apenas por não ser a mulher mais feliz do mundo.


24/11/2011

Novembro

Novembro

Tantas palavras, tantos desenhos, tantas dores, tantas cores e até flores,
Tantos olhos, poucos olhares, desleixo e um desfecho.
Terapeuta, homem, mulher, voyeur, 
Prostituta, pai, madrasta, padre, ladrão, seis irmãos.

E novembro é o mês onze. O-N-Z-E.
E depois dizem que há um sentido lógico que rege a universalidade.
E depois dizem que antes era uma fábula,
E antes diziam que o futuro teria brilho.


Isto é Sobre um Céu de Desenho Animado

Isto É Sobre Um Céu de Desenho Animado Ela dorme em seda rosa E também em grama verde. E ela sabe tão pouco sobre o mundo Que at...