19/02/2010

Ainda Sem Título

Ainda Sem Título

Duas horas com minha filha e meia com um advogado. Pronto! A vida já me parece mais justa. Mais alguns comprimidos e ela parecerá inteiramente perfeita. Por hoje. Por Perfect Day, de Lou Reed.

08/02/2010

Palácio de Egley


O Palácio de Egley


E seu palácio torna-se meu,
De desenfreadas orgias a dois.
Entre tons, recortes, nudez
E belos pêlos,
Pelos encantos marginais.

E um monumento ergue-se imponente,
Rubro e perfeito,
Rendendo-se à fantástica
E amorenada cidadela que o domina.

E queima,
Flamejante, infame,
Tendo suas chamas extirpadas
Pelo sacro néctar da vida,
De todas as vidas,
Mais ainda das nossas.


01/02/2010

AUA, BEMA, AENRIA


AUA, BEMA, AENRIA



   Tarde descoloridas,
Quadros, plásticos, quadrados,
Famílias, armadilhas, lágrimas,
Abraços, abismos, retratos.

Pétalas de rosa,
Amor, humor, terror,
Parede, foguete, sabonete,
Calor, ventilador, tremor.

   Heróis decapitados,
Invasão, inversão, evasão,
Arte, Marte, sorte,
Visão, tesão, aversão.

Sangue sobre papel.

21/01/2010

Enquanto Houver Estrelas

Enquanto Houver Estrelas


Eu, que caminho sem destino,
Que nunca sei o que pensar,
Tenho na velha mala a absurda certeza
De não mais ter como opção o regresso.

Eu, que venço sem merecer,
Que às vezes penso em desistir,
Visito o frio inferno agridoce
Sem lágrimas escorrendo pela face.

Eu, que peco pela inconstância,
Que constantemente perco a calma,
Deixo dominar-me com desdém
Sem lhes dar razão.

Eu, que não quis crescer,
Que tive roubada a própria escolha,
Tento somente não extinguir
O pouco que me parece restar.

Eu, que abuso da hipocrisia,
Que finjo todos os dias,
Com sorrisos brilhantes e de mentira
Faço o mundo se ajoelhar.

Eu, que desfaço e refaço sonhos,
Que abandono o apego pela vida,
Deixo para trás as frágeis palavras
Apenas para possuir algumas estrelas.


17/01/2010

Entre o Louco e o Cadáver



Entre o Louco e o Cadáver


Hoje vamos nos encontrar no topo daquele prédio.
Vou me jogar,
Vou te empurrar,
Ou vamos nos abraçar e pular.
Quantos vão chorar?

O menino louco procura um hospital,
Quer se curar.
A menina feia faz muitos planos,
Quer se casar.
Eu apenas escrevo com meu próprio sangue,
Quero entender.

Celas vazias,
Lendas reais,
Letras escarlates,
Espectros no portão.
Devo sair?
Aonde ir?
Ao jardim noturno conversar com o dicionário
Ou ao planetário ver o que há de novo no Espaço?

Noites apocalípticas.
Enquanto o asfalto molhado transpira lamentações,
Dionísio nos aguarda na entrada de seu templo.

Saberemos o que fazer?


11/01/2010

Além das Nuvens



Além das Nuvens


Folhas de papel, de outono,
Início calculadamente atrasado.
Fim do dia, da noite,
O início de ambos.

Meus olhos vermelhos e cansados
Querem justamente o repouso.
Meus pés relutam em dançar
Ao som mudo da valsa flutuante.

O ruído repetitivo do relógio na parede.

Subo até o sino da igreja
E pulo para voar sem deus.
Acordo de novo,
Há novos sinais.

Ao meio-dia, sinto uma triste alegria,
À meia-noite, sinto-me depressivamente feliz.

Encontro-me encontrando-a,
Assusto-me assustando-a,
Asfixio-me, enveneno-me.
É assim que temos planejado.

Intenções, propósitos e razões,
Cores vibrantes e tons transparentes.
Motivos absurdamente eficazes,
Chuva e transformações.

O inverso também é real,
Ou até um pouco mais.

O sono é a morte,
O sonho é o que somos sem controle.
O despertar é a morte,
E o resto ainda desconhecemos.

Tememos o invisível
E cremos no que há além das nuvens.


08/01/2010

Retrato em Preto e Branco



Retrato em Preto e Branco




Neste quarto de duas mil imagens,
Falta-me uma.
Tantas figuras quebradas
Fora de seus errados lugares.

Nesta sala de sete mil palavras,
Faltam-me duas.
Quantos sussurros ainda terei que ouvir
Até adoecer.

Você. Um sorriso. Eu te amo?

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